Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantiveram a ocupação da reitoria da instituição nesta sexta-feira (8), exigindo a reabertura do diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. Segundo os alunos, as negociações em andamento foram encerradas unilateralmente pela reitoria esta semana, sem que várias de suas demandas fossem atendidas.
A ocupação teve início na quinta-feira (7). As principais reivindicações incluem o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas moradias estudantis e nos restaurantes universitários, popularmente chamados de bandejões.
Um texto divulgado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP aponta que “o estopim para a ocupação é a extrema precarização das condições de inclusão e permanência enfrentadas na universidade”.
Os estudantes relatam que o Conjunto Residencial da USP (CRUSP) enfrenta uma “situação insalubre”, com problemas como falta de água e proliferação de mofo nos apartamentos.
O documento do DCE também menciona que “a insegurança alimentar agravou a revolta, com problemas diários nos bandejões, que incluem desde o fornecimento de comida estragada até refeições contendo larvas”.
Guilherme Farpa, estudante de Jornalismo e membro do DCE, informou que na semana anterior o reitor propôs um aumento de R$ 27 no PAPFE, quantia que os alunos consideram insuficiente.
Farpa detalhou a proposta: “Ele apresentou uma proposta extremamente insuficiente de um aumento de R$ 27 no auxílio permanente, para quem recebe o valor integral, e de R$ 5, para quem recebe o valor parcial”.
Atualmente, o valor integral do auxílio é de R$ 885 e o parcial, R$ 320. Farpa argumenta que esses valores são “insuficientes para poder conseguir sobreviver na região do Butantã e nas outras regiões onde ficam os campi da USP”.
Os estudantes questionam a gestão da USP, apontando que a universidade possui um orçamento de aproximadamente R$ 9 bilhões para 2026 e que, em março, aprovou uma bonificação de R$ 240 milhões para professores. Eles indagam: “se há esses R$ 240 milhões de reais para aprovar a gratificação dos professores, por que não haveria para as outras questões também?”.
Os manifestantes afirmam que a ocupação só será encerrada após a reitoria concordar em retomar as negociações.
Felipe, estudante de Ciências Moleculares e membro do DCE, que preferiu não divulgar seu sobrenome, ressaltou a diferença de vivência: “Tudo que nós queremos é ser ouvidos. O estudante vive a universidade em um âmbito muito diferente dos professores e da reitoria. Eles não pegam a fila de uma hora e meia do bandejão, eles não comem no bandejão cheio de larvas, não pegam o quarteirão de fila para pegar o ônibus circular. Eles não têm noção dessa realidade”.
Outro lado
Em resposta, a reitoria da USP divulgou uma nota expressando “profundo lamento pela escalada de violência que levou à invasão do prédio principal da Reitoria por manifestantes, com danos ao patrimônio público”.
A nota também informou que a reitoria adotou as “medidas cabíveis”, acionando as forças de segurança pública, que já estavam no local, para “evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos patrimoniais”.
Antes da ocupação, em 5 de maio, a reitoria havia divulgado um comunicado mencionando avanços nas negociações com os estudantes.
O comunicado anterior da reitoria destacava que “o bem-estar da comunidade acadêmica é prioridade da gestão”. Segundo o texto, a reitoria da USP realizou reuniões com representantes estudantis a partir de 14 de abril, totalizando cerca de 20 horas de diálogo, e que “diversos avanços foram alcançados em benefício de estudantes de todos os campi”.