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Superintendência fortalece cultura indígena, etnoturismo e produção sustentável em Rondônia

Gasodá Wawaeitxapoh Suruí destaca avanços na valorização dos povos originários durante a Rondônia Rural Show e defende integração entre tradição, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.

Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias
Foto: Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias

A presença indígena na Rondônia Rural Show Internacional vai muito além das apresentações culturais e da exposição de artesanato. O espaço dedicado aos povos originários representa um marco histórico na valorização da diversidade cultural de Rondônia e na construção de oportunidades econômicas sustentáveis para dezenas de comunidades espalhadas pelo estado.


Quem lidera esse trabalho é Gasodá Wawaeitxapoh Suruí, um dos principais líderes do povo Paiter Suruí e atual superintendente estadual dos Povos Indígenas de Rondônia. Aos 44 anos, Gasodá acumula experiência acadêmica e atuação comunitária. Graduado em Turismo e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ele tem atuado na construção de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da autonomia dos povos indígenas.


Durante entrevista concedida na Rondônia Rural Show, Gasodá destacou que a feira representa uma oportunidade única para aproximar a sociedade da realidade indígena.


"Trouxemos vários povos indígenas de Rondônia para expor sua produção, sua cultura, seus artesanatos e suas apresentações culturais. É uma oportunidade de mostrar para os visitantes aquilo que Rondônia tem de melhor na riqueza cultural dos povos indígenas", afirmou.


Segundo ele, a criação da Superintendência Estadual dos Povos Indígenas, idealizada pelo governador Coronel Marcos Rocha, abriu espaço para que as comunidades tradicionais participem de grandes eventos promovidos pelo Estado.


A proposta vai além da simples exposição cultural. O objetivo é combater o desconhecimento e aproximar a população urbana das realidades vividas nas aldeias.


"Muitas pessoas não têm a oportunidade de visitar um território indígena ou conhecer uma comunidade. Aqui na feira conseguimos apresentar nossa cultura, nosso modo de vida e mostrar que os povos indígenas têm muito a contribuir para o desenvolvimento de Rondônia", explicou.


ETNOTURISMO COMO FERRAMENTA DE PRESERVAÇÃO


Outro destaque apontado pelo superintendente é o crescimento do etnoturismo como alternativa sustentável de geração de renda para as comunidades indígenas.


Gasodá explica que o turismo de experiência permite que visitantes conheçam diretamente os saberes tradicionais, a relação com a floresta, a gastronomia, os costumes e a organização social dos povos indígenas.


"O etnoturismo é um projeto sustentável porque permite mostrar nossa cultura, nosso modo de vida e nosso conhecimento da floresta. É uma forma de dialogar com a sociedade e fortalecer a compreensão sobre a importância da existência dos povos indígenas", destacou.


Para ele, o turismo responsável também contribui para fortalecer a preservação ambiental e ampliar o reconhecimento da importância dos territórios indígenas na conservação dos recursos naturais.


TECNOLOGIA E PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL NAS ALDEIAS


A modernização da produção agrícola indígena também tem sido uma das prioridades da Superintendência.


Gasodá ressaltou que o trabalho desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Emater e outras instituições públicas tem levado assistência técnica e conhecimento para dentro das aldeias.


A iniciativa busca melhorar a qualidade da produção sem abrir mão dos princípios de sustentabilidade e respeito à natureza.


"Hoje precisamos de acompanhamento técnico para produzir com mais qualidade. O objetivo é gerar renda para as famílias indígenas e oferecer melhores condições de vida para as comunidades", afirmou.


O café indígena aparece como um dos principais exemplos desse avanço.


Nos últimos anos, produtores indígenas conquistaram reconhecimento estadual e nacional pela qualidade dos grãos produzidos em territórios tradicionais. Um dos destaques é o produtor Rafael Suruí, que alcançou nota máxima em concursos de qualidade do café.


Além do café, comunidades indígenas também vêm ampliando a produção de cacau, banana, castanha, mel e outros produtos que agregam valor às economias locais.


Segundo Gasodá, a presença de extensionistas rurais acompanhando os produtores indígenas tem sido fundamental para o crescimento da produtividade e da qualidade dos produtos.


"Hoje temos profissionais acompanhando nossos produtores de café, cacau e banana dentro dos territórios indígenas. Isso representa um avanço muito importante para nossas comunidades", ressaltou.


CULTURA, ECONOMIA E IDENTIDADE


A atuação da Superintendência Estadual dos Povos Indígenas tem demonstrado que preservação cultural e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.


Ao mesmo tempo em que fortalece a identidade dos povos originários, a política pública amplia oportunidades de geração de renda, incentiva o empreendedorismo indígena e cria novas perspectivas para jovens das comunidades.


Para Gasodá, a valorização dos povos indígenas é uma responsabilidade coletiva.


"Precisamos caminhar juntos, quem está na cidade, no campo e nas aldeias. Somente unidos conseguiremos enfrentar os desafios e construir um futuro melhor para todos", concluiu.


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