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Marcha em São Paulo pede legalização da maconha

Redação

Milhares de pessoas se manifestaram em São Paulo na tarde de 21 de junho, defendendo a legalização da maconha no Brasil. O protesto, realizado em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), criticou os impactos da criminalização da planta. Os participantes ressaltaram que a proibição contribui para a superlotação do sistema prisional e fomenta o preconceito contra o uso medicinal e terapêutico da cannabis, que é utilizado inclusive por crianças com prescrição médica.

O evento, a 18ª Marcha da Maconha, congregou apoiadores, ativistas e diversas organizações engajadas no debate pela regulamentação da cannabis.

Ao longo da Avenida Paulista, os manifestantes exibiam camisetas e cartazes que denunciavam as restrições aos medicamentos à base de cannabis. Entre as mensagens, destacava-se a frase "Maconha não mata, mas o feminicídio, sim". O público presente era heterogêneo, incluindo idosos, pais e mães com seus filhos, e jovens adultos.

A 18ª Marcha da Maconha ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), no dia 21 de junho de 2026. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Stephanie Oliveira, professora de educação infantil, marcou presença na mobilização pela primeira vez, acompanhada de seu namorado. Ela relatou que sua mãe, de 47 anos, utiliza cannabis medicinal para auxiliar na regulação do sono e no alívio de dores nas costas.

A professora revelou à reportagem que, inicialmente, hesitou em publicar fotos da marcha em suas redes sociais devido ao receio da reação de colegas de trabalho. Contudo, ela optou por não ocultar sua participação, considerando que o movimento pela legalização aborda questões de direitos.

Stephanie declarou: "Não é um assunto tão aberto e eu não converso muito sobre isso na escola com as minhas colegas de trabalho, sendo que a maioria me segue no Instagram. Cheguei a pensar se deveria postar, mas considero o movimento importante. Vou publicar independentemente de julgamentos, porque é uma causa que eu apoio, mesmo não fumando."

Conforme o anuário da Kaya Mind, uma das principais organizações brasileiras focadas na sistematização e divulgação de dados sobre o segmento da cannabis, 50 mil pessoas no país utilizam produtos à base de cannabis sativa para tratamento.

O estudo, financiado pela Gravital Clínica Canábica e pela Cannect, aponta que a baixa aceitação social da planta por uma parcela significativa da população dificulta a regulamentação. Essa resistência impede o avanço das discussões, resultando em acesso restrito a produtos canábicos, principalmente para indivíduos com maior poder aquisitivo.

Um levantamento da Bliss Data de 2026 revela que mulheres de meia-idade e em início da velhice constituem o principal grupo de usuários de cannabis medicinal.

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