Rondônia

Novo índice vai mapear os desafios enfrentados pelos municípios para destravar crédito e apoiar mulheres que empreendem

Redação

Um novo índice, o Índice Municipal de Empreendedorismo Feminino (IEFM), busca ir além da simples identificação de locais favoráveis ou desfavoráveis para empreender no Brasil. A iniciativa, desenvolvida pelo Sebrae em colaboração com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), visa aprofundar a compreensão sobre os fatores que influenciam as oportunidades para milhões de mulheres empreendedoras. Atualmente em fase piloto em dez cidades de todas as cinco regiões do país, o IEFM coletará dados sobre acesso a crédito, tecnologia, mercado, educação para empreendedores e apoio político-institucional.

A meta principal é converter esses dados em estratégias eficazes para fortalecer os ambientes de negócios locais e aumentar as chances de sucesso das mulheres que optam por empreender. Apesar de ser fundamentado em indicadores, o IEFM foi concebido a partir das vivências concretas de empreendedoras. A metodologia abrange, além da análise de informações públicas, visitas técnicas, entrevistas e diagnósticos territoriais para uma compreensão aprofundada dos obstáculos em cada localidade.

Renata Malheiros Henriques, gestora do Sebrae Delas, esclarece que o propósito do IEFM não é estabelecer um ranking entre municípios, mas sim fornecer uma ferramenta para guiar decisões mais assertivas. Ela explica que “o índice revelará as principais dificuldades enfrentadas pelas mulheres em cada município, bem como os pontos fortes de cada região. Com base nesse diagnóstico, será viável elaborar planos de ação específicos e incentivar o intercâmbio de boas práticas entre as cidades”.

Parintins (AM) é uma das cidades selecionadas para a validação da metodologia. Lá, a professora e empreendedora cultural Irian Butel encontrou na pandemia uma chance de recomeçar. Após se aprofundar em editais públicos e prestar apoio a artistas locais, ela contribuiu para a aprovação de aproximadamente 40 projetos culturais. Em 2024, formalizou sua empresa, focada na elaboração de projetos e consultoria técnica para agentes culturais. Para Irian, o principal desafio foi reconhecer sua própria jornada como uma experiência empreendedora.

Irian Butel relata: “Nunca me considerei uma empreendedora. Transformar ideias em resultados concretos nem sempre é algo simples de perceber. Atualmente, possuo um grupo fiel de artistas que assessoro e espero que iniciativas como este índice ajudem a expandir o acesso ao crédito e ao mercado, pois o percurso do empreendedorismo feminino ainda apresenta maiores dificuldades”.

Em Parintins, Sarah Reis, que comanda os negócios Salgadinho Legal e Ilha dos Personalizados, também vem de uma família empreendedora e sempre viu no próprio empreendimento a principal fonte de renda. Contudo, ela destaca que concretizar esse objetivo demandou superar uma barreira frequente para mulheres que iniciam um negócio: a dificuldade de acesso ao crédito.

Sarah Reis explica que “sem capital, é consideravelmente mais difícil concretizar um projeto. A ausência de histórico com instituições financeiras prolonga o processo de obtenção de financiamento, o que afeta diretamente o desenvolvimento do negócio”. Para ela, a implementação do índice é um avanço crucial para que as políticas públicas sejam formuladas com base na realidade das mulheres.

Os indicadores considerados pelo IEFM incluem a disponibilidade de creches, a representatividade feminina na política, o acesso a crédito, a presença de mulheres em áreas de ciência e tecnologia (STEM), a educação empreendedora e as condições para inserção no mercado de trabalho. A seleção desses critérios espelha os desafios frequentemente mencionados pelas próprias empreendedoras.

Sarah, por exemplo, enfatiza que a expansão da oferta de creches públicas pode ser transformadora para inúmeras mulheres que equilibram a maternidade com a administração de seus negócios. Ela comenta: “Saber que seu filho está seguro e bem cuidado permite empreender com muito mais serenidade. Para muitas mães, especialmente as chefes de família, isso altera radicalmente a rotina e as perspectivas de crescimento”.

Índice Municipal de Empreendedorismo Feminino

Com a finalização da fase piloto, esperada para o segundo semestre deste ano, o Sebrae planeja automatizar a metodologia para abranger todos os municípios brasileiros. Isso permitirá que gestores públicos, entidades de apoio e líderes locais utilizem os dados para desenvolver políticas mais eficientes. Os municípios que participam da fase piloto são: Parintins (AM), Macapá (AP), Imperatriz (MA), Juazeiro (BA), Lucas do Rio Verde (MT), Anápolis (GO), Volta Redonda (RJ), Suzano (SP), Lages (SC) e Pelotas (RS).

A expectativa é que o IEFM contribua para diminuir as disparidades regionais, expandir o acesso das mulheres ao crédito, à tecnologia, ao mercado e à educação empreendedora, além de fomentar ambientes de negócios mais inclusivos. Conforme sintetiza Renata Malheiros Henriques, “aquilo que é medido pode ser aprimorado”.

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