RuralCast Show

ASSISTA: Programa Ecos transforma resíduos em biofertilizante, biogás e novas práticas sustentáveis em Rondônia

Yury Carvalho apresenta ações do Sistema Fecomércio que unem inovação, educação ambiental, coleta seletiva e aproveitamento de resíduos orgânicos

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Sustentabilidade em destaque no RuralCast

Inovação, educação ambiental e aproveitamento inteligente dos resíduos foram os principais assuntos da entrevista com Yury Carvalho, representante do Sistema Fecomércio, no podcast RuralCast.

O episódio, conduzido pelo apresentador Inácio Rocha, integrou a cobertura especial do Grupo Amazun durante a 2ª AGROTEC, realizada em Porto Velho, Rondônia.

Durante a conversa, Yury apresentou as ações do Programa Ecos, iniciativa voltada à implantação de práticas sustentáveis nas unidades do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac, além da conscientização de funcionários, estudantes, produtores rurais e comunidades.

“É um prazer estar na AGROTEC trazendo conhecimento sobre sustentabilidade, um tema muito importante, ainda mais quando envolve o pessoal do agro.”

Programa Ecos começou com ações internas

Yury explicou que o Programa Ecos nasceu de uma iniciativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC, em 2010. Posteriormente, as ações foram levadas às federações do comércio e às unidades do Sesc e do Senac.

Inicialmente, o programa estava concentrado na adoção de práticas sustentáveis dentro das próprias instituições. Entre as primeiras medidas estavam a redução do desperdício, a utilização consciente dos recursos e a destinação adequada dos resíduos.

Uma das mudanças citadas foi a substituição de copos descartáveis por recipientes reutilizáveis. Cada funcionário passou a utilizar a própria xícara ou copo durante a rotina de trabalho.

“Cada um tem sua xícara e seu copo para evitar o consumo de descartáveis.”

A iniciativa demonstra que ações aparentemente simples podem gerar resultados significativos quando são incorporadas à rotina de um grande número de pessoas.

Segundo Yury, o Sistema Fecomércio conseguiu reduzir em mais de 90% o consumo de copos descartáveis dentro de suas unidades.

Educação ambiental precisa começar nas escolas

O representante do Programa Ecos defendeu que a sustentabilidade seja trabalhada desde a infância. Para ele, a educação ambiental deveria ocupar um espaço permanente nas escolas.

“A sustentabilidade precisa ser uma matéria escolar. A geração de hoje está muito mais atualizada sobre o meio ambiente.”

Yury observou que as crianças demonstram interesse e conhecimento sobre coleta seletiva, reciclagem e preservação ambiental. Elas também podem compartilhar as informações aprendidas com os pais e outros integrantes da família.

“A escola é o melhor lugar para transmitir educação. Os filhos passam o conhecimento para os pais, e isso precisa se transformar em cultura.”

O Programa Ecos já realizou ações educativas em escolas e instituições de municípios como Guajará-Mirim e Nova Mamoré. As atividades incluem palestras, orientações sobre coleta seletiva, separação de resíduos e uso de fertilizantes naturais.

Para o entrevistado, a conscientização precisa ser contínua. Os resultados mais importantes poderão aparecer nas próximas gerações.

“Nós não vamos ver todo o resultado hoje, mas nossos netos e bisnetos poderão perceber o impacto positivo no meio ambiente.”

Sustentabilidade é fundamental para a Amazônia

Durante a entrevista, Inácio Rocha e Yury Carvalho também destacaram a responsabilidade de Rondônia como estado integrante da Amazônia.

A preservação dos recursos naturais depende da participação das instituições, empresas, governos e cidadãos. Cada prática sustentável contribui para reduzir os impactos causados pelo consumo e pelo descarte inadequado dos resíduos.

“Cada um precisa fazer o seu trabalho. Talvez não veja o resultado agora, mas vai perceber lá na frente, principalmente na nossa região amazônica.”

As iniciativas ambientais desenvolvidas na região também podem ser associadas à bioeconomia, à agricultura sustentável e à utilização responsável dos recursos disponíveis.

Biodigestor transforma restos de alimentos

Entre os projetos apresentados, o biodigestor instalado em uma unidade do Sesc recebeu destaque especial. O equipamento aproveita os restos de alimentos gerados pelo restaurante e os transforma em biofertilizante e biogás.

Antes da implantação do projeto, as sobras alimentares eram descartadas. Agora, os resíduos são colocados dentro do biodigestor e passam por um processo natural de decomposição em um ambiente fechado.

“Todo alimento que sobrava era jogado fora. Agora, ele é colocado no biodigestor e se transforma em biofertilizante e energia sustentável.”

O processo funciona de maneira semelhante ao sistema digestivo. O equipamento recebe os resíduos orgânicos e realiza a decomposição sem circulação de ar.

Como resultado, são gerados dois produtos: um fertilizante natural, destinado aos produtores, e o biogás, encaminhado diretamente para a cozinha da unidade.

“A gente tira o alimento da terra e devolve para a terra. O resíduo vira um fertilizante natural e também um gás utilizado na cozinha.”

Projeto evita o descarte de 86 toneladas por ano

De acordo com Yury Carvalho, aproximadamente 86 toneladas de resíduos orgânicos deixam de ser encaminhadas ao lixo todos os anos por causa do funcionamento do biodigestor.

“São 86 toneladas que não estão sendo jogadas no lixo por ano. Elas são reaproveitadas para gerar biofertilizante e biogás.”

O resultado demonstra como a tecnologia pode transformar um problema ambiental em oportunidade. Além de reduzir o volume de resíduos enviados para descarte, o projeto oferece um insumo útil à agricultura e gera energia renovável.

A iniciativa também diminui o desperdício e contribui para uma economia mais circular, na qual materiais antes considerados rejeitos retornam ao processo produtivo.

Biofertilizante é disponibilizado gratuitamente

O biofertilizante produzido pelo Sistema Fecomércio é disponibilizado gratuitamente aos agricultores. Tanto produtores individuais quanto representantes de associações podem procurar as unidades participantes, realizar o cadastro e retirar o produto.

“O produtor pode fazer o cadastro, levar o vasilhame e retirar o biofertilizante gratuitamente.”

Durante a entrevista, Yury explicou que os interessados também recebem orientações sobre a utilização correta do fertilizante.

Segundo os relatos apresentados ao Programa Ecos, o produto natural oferece resultados positivos para o solo, as raízes e as folhas das plantas.

“É um fertilizante natural que apresenta bons resultados para a terra, para as raízes e para a folhagem.”

A iniciativa aproxima o programa dos produtores rurais e permite que uma solução ambiental gere benefícios diretos para as lavouras.

Mais informações sobre a utilização do produto estão disponíveis na página Biofertilizante: como usar, do Sistema Fecomércio-RO.

Biogás reduz desperdício e gera energia

O biogás é outro resultado do aproveitamento dos resíduos. Depois de produzido pelo biodigestor, ele é encaminhado para a cozinha do Sesc e utilizado como fonte de energia.

Esse processo demonstra que os resíduos orgânicos podem ser aproveitados de maneira eficiente, reduzindo a pressão sobre os sistemas tradicionais de descarte.

“O biodigestor transforma os resíduos em biogás, que é enviado diretamente para a cozinha.”

A tecnologia também pode ser aplicada em outras instituições que possuem refeitórios, cozinhas comunitárias ou grande geração de resíduos orgânicos.

Yury revelou que o programa estuda a implantação de biodigestores menores em escolas, associações e outras entidades.

“Queremos montar pequenos biodigestores em escolas e instituições que têm refeitórios e também produzem resíduos alimentares.”

Coleta seletiva permanece como desafio

Outro eixo importante do Programa Ecos é a coleta seletiva. Nas visitas realizadas pelo interior de Rondônia, a equipe promove palestras e distribui recipientes destinados à separação dos resíduos.

O trabalho ensina a identificar e separar papel, plástico, metal, material orgânico e lixo eletrônico.

“Nós explicamos como funciona a separação do papel, do plástico, do resíduo orgânico, do metal e até do lixo eletrônico.”

Yury alertou que materiais descartados de maneira incorreta podem permanecer durante muitos anos no meio ambiente. Por isso, a educação e a disponibilização de estruturas adequadas são fundamentais.

“É um trabalho contínuo, um trabalho de formiguinha.”

A coleta seletiva facilita a reciclagem, evita a contaminação dos materiais e reduz a quantidade de resíduos encaminhada para lixões ou aterros sanitários.

Sabão ecológico e aproveitamento de materiais

O Programa Ecos também incentiva iniciativas como a produção de sabão ecológico, que possibilita o reaproveitamento do óleo de cozinha usado.

Quando descartado em pias, terrenos ou redes de esgoto, o óleo pode contaminar a água e o solo. Ao ser transformado em sabão, ele ganha uma nova utilidade e deixa de representar um risco imediato ao meio ambiente.

Além disso, o programa trabalha com a arrecadação de tampinhas plásticas, lacres e outros materiais recicláveis, mostrando que diferentes tipos de resíduos podem ser destinados a projetos ambientais e sociais.

Bazar Sustentável amplia alcance social

Yury Carvalho também citou o Bazar Sustentável, iniciativa realizada em parceria com o Mesa Brasil. A ação arrecada roupas que não são mais utilizadas e as encaminha para entidades que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Roupa não é descartável. Podemos ajudar quem precisa.”

O projeto une sustentabilidade e responsabilidade social. Em vez de serem descartadas, as peças permanecem em circulação e atendem novas famílias.

Essa prática contribui para reduzir o consumo desnecessário e prolongar a vida útil dos produtos.

Programa avança para escolas sustentáveis

Entre os próximos passos apresentados durante o RuralCast está a criação de projetos voltados às escolas sustentáveis.

A proposta é desenvolver atividades de educação ambiental, separação dos resíduos e aproveitamento das sobras de alimentos. Pequenos biodigestores poderão integrar a estrutura de escolas e instituições que possuem refeitórios.

“A ideia é levar ações para as escolas e fazer com que a sustentabilidade se transforme em uma prática cultural.”

As ações podem funcionar como espaços de aprendizagem prática. Os estudantes poderão acompanhar o processo de transformação dos resíduos e entender como a tecnologia contribui para a proteção ambiental.

Recuperação de nascentes integra novos projetos

O Programa Ecos também trabalha alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Entre os projetos mencionados por Yury está a recuperação de nascentes, iniciativa importante para ampliar a preservação dos recursos hídricos.

“Estamos buscando trabalhar com a recuperação de nascentes, porque muitas pessoas ainda não têm acesso à água potável.”

A recuperação dessas áreas ajuda a proteger os cursos de água, conservar a vegetação e garantir melhores condições ambientais para as comunidades.

As ações ambientais também estão relacionadas ao enfrentamento da fome, à redução das desigualdades e à melhoria da qualidade de vida.

Parcerias fortalecem ações sustentáveis

A expansão do Programa Ecos depende da união entre instituições, prefeituras, órgãos ambientais, escolas e sociedade.

Yury mencionou parcerias para a doação de mudas e a realização de atividades educativas. A intenção é ampliar gradativamente o número de pessoas alcançadas.

“Era um programa institucional e agora está se expandindo para o público, para o agro e para as famílias.”

O representante também anunciou que novas distribuições gratuitas de mudas frutíferas e ornamentais devem ser realizadas em eventos apoiados pelo Sistema Fecomércio.

Conhecimento precisa ser compartilhado

Nas considerações finais, Yury Carvalho convidou produtores rurais e pessoas interessadas em sustentabilidade a procurarem as unidades do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac.

“Venham conhecer o trabalho, façam o cadastro e retirem o biofertilizante gratuitamente. Nós também vamos orientar como fazer a utilização.”

O convidado ressaltou que o objetivo é compartilhar informação, estimular boas práticas e colaborar com a melhoria da qualidade de vida da população.

“De que adianta o conhecimento se ele não for compartilhado?”

A entrevista demonstrou que a inovação sustentável não precisa permanecer apenas no campo das ideias. Biodigestores, biofertilizantes, biogás, coleta seletiva, sabão ecológico, bazares solidários e recuperação de nascentes são exemplos de soluções que podem ser aplicadas no cotidiano.

O episódio integra a cobertura especial do RuralCast, produção do Grupo Amazun para o canal Olá Rondônia, diretamente da 2ª AGROTEC, em Porto Velho.


Assista ao podcast completo:


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