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ASSISTA: ABIEFA une voluntariado e tecnologia no combate aos incêndios florestais em Rondônia

Associação criada em 2013 realiza prevenção, monitoramento e resposta a emergências, com uso de satélites, mapas e drones para localizar focos e orientar equipes

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Associação atua na proteção da Amazônia

O trabalho desenvolvido por brigadistas voluntários na prevenção e no combate aos incêndios florestais foi apresentado em mais um episódio do RuralCast, podcast do Grupo Amazun, durante a cobertura especial da 2ª AGROTEC, em Porto Velho.

Entrevistado pelo apresentador Inácio Rocha, o coordenador Luís Henrique de Souza Bentes explicou a história, o funcionamento e os projetos da Associação de Brigadistas de Incêndios e Emergências Florestais da Amazônia — ABIEFA.

“A ABIEFA é a Associação de Brigadistas de Incêndios e Emergências Florestais da Amazônia”, apresentou Luís Henrique.

Com equipes operacionais e administrativas, a instituição trabalha desde o monitoramento preventivo até a mobilização para ocorrências em áreas de vegetação.

A atuação combina voluntariado, conhecimento técnico, equipamentos, imagens de satélite, mapas e drones para reduzir o tempo entre a identificação de um foco e a chegada dos brigadistas.

História começou em 2013

A associação foi criada em 2013, inicialmente com o nome de Associação de Bombeiros Civis do Estado de Rondônia.

Ao longo dos anos, a instituição ampliou suas atividades e direcionou parte importante de sua estrutura às emergências ambientais e aos incêndios em vegetação. Essa evolução levou à adoção do nome ABIEFA.

“A nossa associação existe desde 2013. Antigamente, era chamada de Associação de Bombeiros Civis do Estado de Rondônia. Com o desenvolvimento das atividades, adotamos o nome atual”, explicou.

A ABIEFA é uma entidade sem fins lucrativos. Durante grande parte de sua trajetória, as atividades foram mantidas por voluntários, doações e pelo investimento dos próprios integrantes em capacitações e equipamentos.

“Toda a atividade era realmente voluntária e realizada por meio de doações. Participamos de treinamentos gratuitos e também pagamos por algumas formações para adquirir experiência”, relatou.

Alguns membros buscaram conhecimento em outras instituições e associações, trazendo novas práticas para o trabalho realizado em Rondônia.

Atuação vai além dos incêndios florestais

Embora o combate aos incêndios em vegetação seja uma das atividades mais visíveis, a associação também participa de ações sociais, atividades educativas, apoio operacional e outras situações emergenciais.

“Já realizávamos atuações voluntárias dentro da cidade, não somente no combate florestal, mas também em ações sociais e outras atividades”, destacou Luís Henrique.

A diversidade do trabalho exige integrantes preparados para atuar tanto na linha de frente quanto em funções administrativas, logísticas e de monitoramento.

Cada ocorrência precisa de comunicação, planejamento, equipamentos, deslocamento, registro e acompanhamento das equipes.

Chamamento público fortaleceu a estrutura

Em 2025, a Prefeitura de Porto Velho realizou um chamamento público relacionado às ações de prevenção e enfrentamento aos incêndios.

A ABIEFA participou do processo e foi selecionada, iniciando uma nova etapa de cooperação com a administração municipal e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

“Em 2025 surgiu um chamamento público. Com muito esforço e muita luta, participamos e fomos contemplados”, contou o coordenador.

A parceria permitiu melhorar as condições de trabalho, remunerar colaboradores vinculados ao projeto e ampliar a disponibilidade de materiais.

“Com o contrato, conseguimos desenvolver muito mais as atividades, remunerar colaboradores e utilizar os materiais fornecidos pela Prefeitura para os combates”, explicou.

Mesmo com esse avanço, o voluntariado continua sendo uma base importante da associação.

Equipes permanecem prontas para acionamento

O atendimento começa a partir da identificação de um possível foco, que pode ocorrer por denúncia da população, visualização de fumaça, imagens de satélite, rondas ou monitoramento tecnológico.

Após receber o alerta, a equipe verifica a localização, analisa as características da área e realiza o planejamento da resposta.

“A detecção pode acontecer por denúncia ou pela identificação de fumaça. Avançamos para o local, verificamos as propriedades, fazemos o planejamento e entramos em atuação para extinguir o incêndio”, detalhou.

As equipes mantêm plantão e organização para responder às ocorrências dentro da capacidade operacional disponível.

Antes de iniciar o combate, também é necessário verificar se a atuação pode ser realizada com segurança e se existem condições legais e técnicas de acesso à área.

Rapidez impede que pequenos focos se tornem grandes incêndios

A detecção precoce é uma das principais estratégias para reduzir os danos ambientais.

Quanto menor o tempo entre o início do fogo e a chegada das equipes, maiores são as possibilidades de controlar a ocorrência com menos pessoas, água e equipamentos.

“Quanto mais rápido conseguimos chegar ao local, menos o fogo se propaga”, ressaltou Luís Henrique.

O coordenador relembrou uma ocorrência na região da Avenida dos Imigrantes, em Porto Velho. Quando a equipe chegou, o incêndio ainda estava entre pequeno e médio porte, mas avançou rapidamente.

“O efetivo encontrou chamas de aproximadamente três metros e uma radiação de calor muito forte. Mesmo com a detecção rápida, o fogo se propagou”, contou.

Em um incêndio florestal, o vento, a temperatura, a baixa umidade e o material combustível podem alterar a intensidade em poucos minutos.

“Se tivéssemos chegado um pouco antes, poderíamos ter controlado aquilo em poucos instantes”, avaliou.

A associação também atende ocorrências identificadas no começo e que são extintas antes de alcançar grandes áreas.

Sala de monitoramento reúne informações

A estrutura de acompanhamento utiliza diferentes fontes para detectar focos e coordenar as operações.

Na sala de monitoramento, as equipes podem analisar mapas, imagens, alertas, denúncias, pontos de fumaça e informações recebidas durante as rondas.

Esse conjunto de dados ajuda a definir prioridades, localizar acessos e avaliar quais áreas podem estar ameaçadas.

O monitoramento não termina com a saída da viatura. Durante uma ocorrência, a coordenação acompanha o deslocamento dos veículos e das equipes para manter uma visão atualizada da operação.

Isso permite organizar reforços, orientar rotas e melhorar a segurança dos brigadistas que trabalham em locais de difícil acesso.

Satélites e inteligência artificial aceleram a detecção

A tecnologia mudou significativamente a forma de encontrar possíveis incêndios.

Antes, o trabalho dependia principalmente de rondas em busca de fumaça. Atualmente, imagens de satélite, sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial ajudam a filtrar alertas e apontar áreas suspeitas.

“Antigamente, fazíamos somente rondas e precisávamos praticamente caçar o incêndio”, comparou Luís Henrique.

Com os recursos atuais, a associação consegue detectar determinados focos em poucos minutos.

“Hoje, em questão de cinco ou dez minutos, podemos fazer a detecção de um foco”, afirmou.

A inteligência artificial contribui para analisar grande quantidade de informações e reduzir o tempo necessário para identificar padrões compatíveis com fumaça ou fogo.

A confirmação, contudo, ainda depende da avaliação da equipe e, em muitos casos, da verificação em campo ou por drone.

Drones orientam o planejamento operacional

Os drones passaram a fazer parte das atividades de monitoramento e reconhecimento de área.

Em terrenos baixos, com vegetação alta ou obstáculos naturais, os brigadistas não conseguem visualizar todo o perímetro do incêndio. O drone oferece uma visão aérea e ajuda a entender o comportamento das chamas.

“No terreno, não conseguimos identificar para onde o fogo está indo. Com o drone, verificamos o flanco esquerdo, o direito e a cabeça do incêndio”, explicou.

A cabeça é a parte que normalmente avança com maior intensidade. Os flancos correspondem às laterais do incêndio.

Conhecer essa dinâmica permite definir os pontos de atuação, identificar caminhos seguros e evitar que os profissionais sejam surpreendidos por uma mudança de direção.

“Fazemos o levantamento com o drone para ter uma noção de onde vamos atuar”, acrescentou.

O equipamento também pode observar áreas onde o acesso terrestre é difícil, identificar residências ameaçadas e auxiliar na avaliação posterior dos danos.

Associação busca drones mais avançados

Na entrevista, Luís Henrique explicou que a ABIEFA ainda utiliza os drones principalmente para observação e planejamento.

A entidade pretende acessar equipamentos mais avançados, incluindo modelos capazes de apoiar diretamente operações em áreas de incêndio.

“Ainda não tivemos acesso a drones agrícolas, mas estamos planejando, porque ajudariam bastante”, afirmou.

A aquisição exige recursos não apenas para comprar o equipamento, mas também para treinamento, manutenção, baterias, sistemas de comunicação e formação dos operadores.

O emprego de qualquer tecnologia em áreas de calor intenso também deve considerar os limites técnicos e os protocolos de segurança.

Equipamentos usados no combate

Nas ocorrências em vegetação, os brigadistas utilizam equipamentos como abafadores, sopradores, ferramentas manuais, equipamentos de proteção individual e materiais de comunicação.

“Em uma área com capim alto ou vegetação rural, estamos no local com abafadores e sopradores. O deslocamento nesses ambientes é complicado”, relatou.

O abafador é utilizado para eliminar chamas rasteiras por meio da interrupção do contato com o oxigênio. O soprador ajuda a afastar folhas, capim seco e outros materiais leves que poderiam alimentar o fogo.

Dependendo da ocorrência, também podem ser necessários veículos apropriados, bombas, mangueiras, reservatórios, equipamentos de iluminação e ferramentas para construção de aceiros.

A eficiência depende da disponibilidade dos materiais, das condições do terreno e do número de profissionais mobilizados.

Combates podem durar várias horas

O enfrentamento de um incêndio florestal exige grande esforço físico. Calor, fumaça, terreno irregular, baixa visibilidade e longas distâncias aumentam o desgaste das equipes.

“Um combate florestal é muito exaustivo. Uma ocorrência pode durar duas horas, e já tivemos operações que ultrapassaram cinco ou seis horas”, revelou.

Além do esforço para controlar as chamas, a equipe precisa realizar o rescaldo. Essa etapa elimina brasas e pontos quentes que poderiam provocar uma reignição.

Ocorrências de maior complexidade também podem exigir reforços, divisão das equipes por setores e atuação integrada com órgãos públicos.

Calor aumenta o risco e dificulta as operações

As temperaturas elevadas registradas em Porto Velho deixam a vegetação mais suscetível ao fogo e tornam o combate ainda mais desgastante.

“Todos os dias temos enfrentado sensação térmica próxima ou superior a 40 graus. Isso complica muito o trabalho”, afirmou.

Luís Henrique alertou que uma chuva isolada não significa que a vegetação permanecerá úmida por muito tempo. Com o retorno do calor, a água evapora rapidamente e o material pode voltar a apresentar condições favoráveis à propagação das chamas.

“Às vezes, a pessoa pensa que, porque choveu, está tudo úmido e pode fazer uma queima. Com temperaturas de 40 graus, essa umidade evapora muito rápido”, alertou.

Fogo saiu do controle em apenas dois minutos

Durante a entrevista, o coordenador relatou uma ocorrência registrada no bairro Nova Porto Velho.

Uma pessoa havia colocado fogo em fios para retirar cobre, próximo a uma área de vegetação. Enquanto a equipe realizava a orientação, as chamas começaram a avançar.

“Foi questão de dois minutos. Quando chegamos e orientamos que a pessoa não poderia fazer aquela queima, o fogo já começou a se alastrar”, contou.

A equipe precisou iniciar imediatamente o combate. O responsável pela queima deixou o local.

O episódio demonstra como uma ação aparentemente pequena pode provocar uma ocorrência de grandes proporções, principalmente durante períodos de calor e baixa umidade.

Queima controlada exige autorização

Luís Henrique também falou sobre as chamadas queimas prescritas ou controladas.

Esse tipo de procedimento não deve ser realizado por iniciativa própria. É necessário procurar os órgãos responsáveis, verificar a legislação e solicitar a autorização correspondente.

“Existe a queima prescrita, mas é necessário pedir permissão para que ela aconteça”, explicou.

A autorização permite que os órgãos tenham conhecimento prévio e reduz o risco de uma equipe ser mobilizada para combater uma queima planejada.

Mesmo quando autorizada, a atividade exige planejamento, avaliação das condições meteorológicas, pessoal capacitado e medidas para impedir que o fogo ultrapasse os limites previstos.

“O clima mudou. Às vezes, a pessoa acredita que poderá fazer uma queima no período considerado mais seguro, mas a chuva pode não vir. Precisamos ter muito cuidado”, advertiu.

População ajuda enviando fotos e localização

A participação da comunidade é decisiva para acelerar o atendimento. Uma denúncia com endereço correto, fotografia e localização pode reduzir significativamente o tempo de procura.

“As pessoas entram em contato, informam que existe um incêndio, enviam uma foto e a localização. Isso nos ajuda a chegar mais rápido”, explicou.

Ao identificar fumaça ou fogo, o cidadão não deve tentar combater sozinho uma ocorrência que já esteja fora de controle. O mais seguro é manter distância, comunicar os serviços responsáveis e fornecer informações precisas.

A população também pode colaborar evitando queimadas, não descartando pontas de cigarro em áreas de vegetação, não incendiando lixo ou fios e orientando outras pessoas sobre os riscos.

Educação ambiental apresenta resultados

A prevenção é um dos principais pilares da ABIEFA. A associação desenvolve atividades educativas para mostrar como os incêndios começam, quais são seus impactos e como podem ser evitados.

“O trabalho de educação ambiental realizado no ano passado e neste ano está apresentando resultado”, avaliou Luís Henrique.

Segundo ele, a visibilidade das ações despertou o interesse de pessoas que desejam se voluntariar ou colaborar com informações.

“Algumas não atuam diretamente como brigadistas, mas oferecem um apoio operacional muito bonito”, destacou.

Quando uma pessoa recebe orientação, o conhecimento também pode alcançar familiares, vizinhos, estudantes e colegas de trabalho.

Cursos e capacitações formam novos brigadistas

A associação ministra cursos gratuitos destinados à qualificação de bombeiros civis, brigadistas e pessoas interessadas em contribuir com a prevenção.

“Nossa equipe é extremamente qualificada e a associação ministra vários cursos gratuitos para capacitar bombeiros e brigadistas”, afirmou.

Os treinamentos ajudam os participantes a compreender o comportamento do fogo, o uso dos equipamentos, a segurança operacional, os primeiros procedimentos e a importância da comunicação.

“Queremos receber ajuda, mas também queremos qualificar e ajudar muito mais”, acrescentou.

A formação contínua é necessária porque as ocorrências apresentam características diferentes e as tecnologias de monitoramento evoluem constantemente.

ABIEFA reúne 53 voluntários

Atualmente, a associação conta com aproximadamente 53 voluntários, distribuídos entre as áreas administrativa e operacional.

“Estamos com 53 voluntários. Temos pessoas na parte administrativa e na parte operacional, porque tudo funciona em conjunto”, informou.

A sede da instituição está em Porto Velho, na região da Avenida Sete de Setembro.

As pessoas interessadas em participar podem procurar a base ou entrar em contato pelo telefone corporativo informado durante o RuralCast: (69) 99937-6272.

Antes de atuar diretamente em uma ocorrência, o voluntário precisa passar por orientação e capacitação. O combate ao fogo envolve riscos e não deve ser realizado sem preparação.

Planos incluem expansão para outros municípios

A ABIEFA atua atualmente em Porto Velho, mas pretende expandir sua presença.

O monitoramento já permite observar fumaça e focos em outras localidades. Contudo, as distâncias e a estrutura disponível ainda limitam a capacidade de resposta fora do município.

“Temos vontade de expandir e preservar ainda mais, levando esse trabalho para outros municípios”, afirmou.

Para isso, a associação busca novas parcerias, investimentos e apoio institucional.

A expansão poderia incluir a criação de núcleos locais, formação de voluntários, implantação de salas de monitoramento e compartilhamento de tecnologias.

Apoio é necessário para fortalecer a resposta

Ao final da entrevista, Luís Henrique convidou empresários, agentes públicos e demais parceiros a conhecerem o trabalho e contribuírem com a causa.

“Estamos abertos a conversar com empresários, colaboradores e agentes públicos que queiram investir nessa causa, na Amazônia, no nosso município e em Rondônia”, declarou.

Os recursos podem fortalecer a compra de drones, veículos, equipamentos de proteção, materiais de combate, sistemas de comunicação e ações educativas.

O investimento em prevenção reduz impactos ambientais e pode evitar despesas muito maiores com grandes operações, perda de propriedades, danos à saúde e destruição de áreas naturais.

Legado para Rondônia e para a Amazônia

A ABIEFA constrói um legado baseado na união entre voluntariado, tecnologia, capacitação e educação ambiental.

Sua atuação ajuda a proteger vidas, animais, propriedades, áreas produtivas e vegetação amazônica. Ao mesmo tempo, estimula a população a compreender que a prevenção não depende apenas das equipes de emergência.

A rapidez de uma denúncia, o cuidado ao utilizar o fogo e a decisão de não realizar queimadas irregulares podem impedir uma tragédia.


Assista ao podcast completo no canal Olá Rondônia:



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